Como me tornei tradutora

Tradução é uma daquelas áreas onde muitas pessoas vêm de outras áreas.

Comigo não foi diferente.

Então, como dizia a vinheta do Rá-tim-bum, “Senta que lá vem história” ou, como se diz hoje em dia, “lá vem textão”.

Minha carreira profissional começou lá do outro lado do mundo.

Bom, isso é relativo, depende de onde você está.

No momento, moro no Rio de Janeiro e, como eu ia dizendo, minha carreira começou lá do outro lado do mundo, em Israel, onde estudei programação de computadores. Trabalhei por mais de 20 anos em TI, sempre na área de desenvolvimento de softwares, programando, criando sistemas, gerenciando equipes de desenvolvedores.

Mas tenho um “vício”. Sou extremamente curiosa e adoro ler e aprender sobre assuntos diferentes.

Há uns cinco anos, descobri o Coursera, uma plataforma de MOOCs (Massive Online Open Courses) (*) com dezenas (naquela época, agora já são centenas) de cursos gratuitos de universidades renomadas de todo o mundo sobre os mais diversos assuntos. Para quem tem prazer em aprender, é um prato cheio. E comi de me lambuzar!

Fiz cursos sobre Economia Comportamental, Psicologia, Globalização, Business, Genética, Metadata, Model Thinking, Gamification e vários outros. Totalmente de graça, sem pagar um centavo (hoje em dia já não é mais assim).

Um dia, soube que havia um projeto voluntário para traduzir as aulas de alguns cursos para que mais pessoas pudessem ter acesso ao conteúdo. Achei que era uma forma interessante de “pagar” por tudo que eu havia aprendido de graça e participei da equipe de tradução do curso que mais gostei – “A Behavior’s Guide to Irrational Behavior“, do Prof. Dan Ariely, da Duke University.

Logo depois, fui convidada a fazer parte da equipe de CTAs (Community Teaching Assistants) da segunda edição desse curso. A função dos CTAs (que hoje em dia tem outro nome e outras funções) era basicamente monitorar o forum e ajudar os alunos com questões técnicas ou esclarecer dúvidas sobre o formato do curso, procedimentos e alguns conceitos das aulas. Nada muito glamoroso, e bastante trabalhoso pois o curso tinha mais de 80 mil alunos do mundo inteiro. Sem brincadeira!

Nessa equipe de CTAs conheci pessoas muito interessantes, de várias partes do mundo. Uma delas é responsável pela tradução das palestras do TED em holandês (ou neerlandês). Quando ela soube que eu havia traduzido o curso em português, me convidou para participar do projeto voluntário de tradução do TED. Em português, é claro, ainda não consegui aprender holandês.
E eu pensei: “Por que não?”

O projeto de tradução das palestras do TED é voluntário e, em teoria, qualquer pessoa pode participar. Mas isso não quer dizer que as traduções saem de qualquer jeito. Há um guia de estilo e toda tradução passa por revisão e só vai ao ar depois de ter sido aprovada por um dos LCs (Language Coordinators). E os LCs responsáveis pelo português do Brasil são extremamente criteriosos. Uma delas em particular me ensinou muito com suas críticas e correções. Em pouco tempo me tornei revisora e continuo aprendendo com os erros dos outros e com as revisões dos LCs.

Mas, apesar de a profissão de tradutor não ser regulamentada, não basta saber um par de idiomas para se autointitular tradutor. A experiência com o TED foi, e continua a ser, muito boa para me mostrar isso. Como já li em diversos lugares, a melhor tradução é aquela que não tem cara de tradução, que soa natural no idioma de chegada.

Para encurtar a história, acabei me apaixonando pela tradução e resolvi abraçar a carreira de tradutora.

No momento, estou quase terminando o curso de formação de tradutores do Brasillis. Além disso, como tenho a sorte de morar no Rio de Janeiro, não perco as oficinas de tradução da Isa Mara Lando, autora do Vocabulando que, generosamente, compartilha seu vastíssimo conhecimento com aqueles que desejam aprender mais sobre técnicas de tradução.

Ah, sim! Apesar do sobrenome diferente, e de ter morado um tempo em Israel, sou brasileira, carioca da gema e, no momento, trabalho apenas com traduções inglês-português.

Graças aos meus anos de vivência na área de TI, traduzo tutoriais de ferramentas de desenvolvimento e materiais relacionados à área de tecnologia.

E aquele curso sobre Economia Comportamental que foi o estopim para a minha carreira de tradutora, além dos vários livros que leio a respeito do tema que se tornou uma das paixões, me deram base suficiente para traduzir alguns artigos para o primeiro curso de pós graduação em Economia Comportamental no Brasil.

Se você chegou até aqui e quiser me contratar, envie uma mensagem pra mim.

(*) Se você nunca ouviu falar em MOOCS e quiser saber o que é, pode ler este artigo que escrevi no meu blog sobre tecnologia. Está um pouco desatualizado, pois os MOOCs evoluíram muito de lá pra cá, mas dá pra ter uma ideia.