Flavor of the month

Se você encontrou a expressão “flavor of the month” em algum texto ou ouviu em algum filme e foi pesquisar no Google Tradutor e deve ter ficado na mesma.

A tradução literal como “sabor do mês” não faz muito sentido, a não ser no contexto de uma sorveteria ou algum outro estabelecimento do ramo alimentício. E é daí mesmo que vem a expressão, segundo o site The Phrases Finder.

Mas, quando o contexto não tem relação com sorveterias, flavor of the month é dito quase sempre de modo irônico e pode significar:

algo ou alguém que foi famoso, mas já saiu de moda
a sensação do momento
um modismo

Referências
The Free Dictionary
Urban Dictionary

Pablo Helguera
Arte de Pablo Helguera

Keep in the loop

Se você perguntar para o Google Tradutor, ele vai dizer que a tradução de “keep someone in the loop” é “mantenha alguém no laço”.

Que laço? Como se faz para manter alguém no laço? Será que é para amarrar alguém com um laço? Não faz o menor sentido, não é mesmo?

A tradução correta dessa expressão é “manter alguém a par (de algum assunto)”.

We’ve hired a new intern to help you, so be sure to keep her in the loop about the project. Nós contratamos uma nova estagiária para lhe ajudar, portanto, mantenha-a informada sobre o projeto.

Referência:

The Free Dictionary

Você vai encontrar no Cambridge Dictionary a definição de uma expressão parecida com um significado um pouco diferente.

be in the loop/be out of the loop

Em português informar, seria algo como “estar por dentro” ou “estar por fora“.

Your failure to keep me in the loop really threw me under the bus. Still, kudos on threading the needle.

Se você não entendeu o cartoon, veja essas outras expressões:

Throw under the bus

Thread the needle

Take the eye off the ball

take the eye off the ball

Os americanos adoram esportes e adoram criar expressões ligadas aos esportes, como take the eye off the ball e as usam mesmo quando não tem nenhum esporte envolvido. Para eles, faz todo o sentido, mas se traduzirmos literalmente, fica estranho, com cara de tradução.

A tradução literal de take the eye off the ball seria “tirar o olho da bola”.


Como toda expressão tem uma imagem por trás, visualize o que acontece se você está no meio de um jogo e não presta atenção na bola: ou você toma uma bolada na cara ou perde o passe ou a jogada.

 

A tradução mais apropriada em português seria:
Não prestar atenção.
Desviar a atenção.

Perder o foco ou a motivação em relação a um assunto ou objetivo.

Se você encontrar a expressão no imperativo “Don’t take the eye off the ball“, as traduções possíveis seriam “Preste atenção” ou “Mantenha o foco“.

You can't take your eye off the ball just before this merger deal is supposed to go through, not when there is so much at stake!Você não pode perder o foco logo agora que o acordo de fusão está prestes a acontecer, não quando há tanta coisa em jogo!
If you're a manager, you can't afford to take your eye off the ball for one minute.Quanto você é um gerente não pode se dar ao luxo de desviar a atenção nem por um minuto.

Reparou que a palavra “off” tem dois “f’s”? Em português dá na mesma, a tradução literal continua sendo “tirar o olho da bola” mas tome cuidado se for escrever em inglês.

Referências:
The Free Dictionary
Cambridge Dictionary

De acordo com o site The Phrase Finder, a origem da expressão vem de jogos como críquete, golf, florão e beisebol onde é essencial não perder a bola de vista.

eyeontheball

Você também pode se interessar por essa outra expressão – the ball is in your court

Ruffle (one’s) feathers

A tradução literal de “ruffle (one’s) feathers” seria “eriçar as penas de alguém”. Mas as pessoas não têm penas.

A tradução dessa expressão é irritar ou perturbar alguém.

Dependendo do contexto, temos algumas expressões em português que podem servir:

colocar o dedo na ferida

pisar no calo

Não encontrei a origem dessa expressão, mas quando um pássaro fica irritado ou com medo, suas penas ficam eriçadas então, provavelmente vem daí.
O verbo “to ruffle” também tem o significado de “irritar, perturbar”.

Ruffle a few feathers também pode ser traduzido como criar confusão, aprontar.

I didn’t mean to ruffle his feathers. I just thought that I would remind him of what he promised us.
Eu não queria irritá-lo | colocar o dedo na ferida. Só achei que deveria lembrá-lo da promessa que ele nos fez.

Referências:
The Free Dictionary
Merriam-Webster

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Palavras de Alívio

Eu conheci a Marleen Laschet quando revisei a tradução da sua palestra no TEDx Trondheim para o português. Gostei tanto da palestra que fui atrás do seu blog onde li esse artigo abaixo. É sobre a organização Translators Without Borders (TWB).

Quase todo mundo já ouviu falar nos Médicos sem Fronteiras mas eu nunca tinha ouvido falar em Tradutores sem Fronteiras. Achei tão interessante que resolvi traduzir.

A gente, normalmente, não se dá conta mas o nosso idioma não é falado apenas no Brasil e em Portugal mas também em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.


Palavras de Alívio – Uma revisão do aprendizado com a crise do Ebola

por Marleen Laschet.

De fevereiro de 2014 a fevereiro de 2015, a África Ocidental foi acometida pelo Ebola. Os três países mais afetados foram Serra Leoa, Guiné e Libéria.

A crise enfrentou sérios problemas de comunicação. Mais de 90 idiomas são falados na região e mais de 50 por cento da população adulta é analfabeta. Os materiais de informação fornecidos pelos órgãos de assistência são, na sua maioria, por escrito e, majoritariamente, em inglês, porém em Serra Leoa apenas 13 por cento das mulheres falam inglês.

Além disso, existem poucos tradutores profissionais para os idiomas da África Ocidental e a conexão à internet era limitada. Ao tentar controlar uma epidemia, a disponibilidade de material nos idiomas que as pessoas compreendem pode tranquilizar as comunidades, aumentar a confiança nos agentes humanitários e promover uma mudança de comportamento efetiva.

Informação no idioma errado pode gerar desconfiança, assim como sérios equívocos na forma de tratamento e sobre como a doença é contraída. Em Serra Leoa, 42 por cento das pessoas que responderam a uma pesquisa da UNICEF em agosto de 2014 – meses depois do início da epidemia – acreditavam que banhos com água salgada eram um meio de cura eficaz.

Para melhorar a comunicação com comunidades que não falam o inglês, a Translators without Borders (TWB) levou o seu programa Words of Relief (Palavras de Alívio) que estava sendo testado no Quênia, para a África Ocidental. Words of Relief é uma abordagem inovadora para lidar com barreiras de idioma em crises. “Spider Networks”, ou Equipes de Resposta Rápida, são equipes virtuais de tradutores para crises treinadas para atender rapidamente às necessidades de idioma. A Spider Network permite que a organização recrute intérpretes, treine-os como tradutores de comunidade e reaja rapidamente. Uma tradução ruim pode ser potencialmente mais prejudicial do que nenhuma tradução, portanto um processo de garantia de qualidade foi implementado. A TWB utilizou a sua vasta rede e mídias sociais para recrutar meia dúzia de tradutores para os países afetados pelo Ebola. Eles passaram por um treinamento online com foco na tradução para o Ebola. As traduções fornecidas pelos novos recrutas foram revisadas para garantir a qualidade. Isso também ajudou a lidar com os problemas associados aos múltiplos dialetos. A TWB trabalhou com associados para coletar, traduzir e ajudar a disseminar materiais relacionados ao Ebola – 106 itens foram traduzidos em 30 idiomas totalizando mais de 80 mil palavras.

A TWB se concentrou em traduzir mensagens já bem estabelecidas: posteres simples e informativos com sugestões para evitar a disseminação do Ebola, mensagens com foco nas atitudes que devem ser adotadas quando alguém está doente ou esteve em contato com pessoas doentes, recomendações sobre enterros, onde buscar informação, e o vídeo “Ebola: A Poem for the Living” (Ebola: Um Poema para os Vivos). O próximo passo era fazer com que o material traduzido fosse amplamente distribuído para os órgãos de assistência através das várias redes humanitárias.

Embora o projeto tenha sido um sucesso de várias maneiras, a TWB encontrou alguns obstáculos difíceis de superar. Mesmo durante esse tipo de crise, a organização teve que lutar pela tradução porque traduções não costumam ser uma prioridade para os governos e agências de assistência. Conseguir o material a ser traduzido se provou uma tarefa mais difícil do que o previsto. A pessoa de contato muitas vezes não tinha acesso ao material ou não tinha autoridade para decidir quais materiais deveriam ser traduzidos. Além disso, os socorristas frequentemente trabalham em ambientes muito intensos e difíceis onde a internet é um luxo, tornando a comunicação bastante precária.

Com base na experiência durante a crise do Ebola, a TWB recomenda algumas mudanças na resposta humanitária. A tradução precisa se tornar parte da estratégia de comunicação dos órgãos de assistência. A TWB produziu um vídeo para aumentar a conscientização da importância das traduções e explicar como a TWB pode ajudar as organizações humanitárias a alcançar os seus objetivos. Para a TWB, é crucial adotar novos métodos de trabalho, criar estruturas que possibilitem a comunicação com as comunidades no idioma local e rapidamente reformatar os documentos traduzidos.

Para melhorar a comunicação com as organizações de assistência a TWB está desenvolvendo um repositório de mensagens-chave em idiomas locais que podem ser rapidamente traduzidas durante uma crise, assim como uma API, a Translators without Borders’ Words of Relief Digital Exchange (WoRDE), para prover um espaço de trabalho de fácil utilização para que as agências de ajuda possam solicitar traduções diretas para as Equipes de Resposta Rápida (Rapid Response Teams). As equipes são mais efetivas quando incluem intérpretes das comunidades das áreas afetadas que podem atuar como representantes locais, participando de reuniões de coordenação junto às organizações de assistência.

Para atender às necessidades dos analfabetos, a TWB está incluindo áudio e vídeo no repositório de informação do Words of Relief. A TWB também está considerando o desenvolvimento de tecnologia de conversão texto-fala para incorporá-la às suas ferramentas de tradução. Isso vai ajudar aos socorristas a passar as mensagens escritas no formato de áudio.

No geral, o projeto Words of Relief da TWB gerou uma grande conscientização por traduções em ações humanitárias porém, ainda há muito trabalho a ser feito para promover o uso de idiomas locais em ações de resposta humanitárias.

Link para o artigo original na TCWorld.

Confissões de uma Mãe Judia: Como o meu filho arruinou a minha vida!

Eu odeio ter que confessar isso a vocês mas meu filho arruinou a minha vida.

Como uma mãe judia, eu nunca pensei que contaria este segredo.

Mães judias nascem com um certo gene que não pode ser adquirido.

Ele só pode ser refinado com muito cuidado.

Mães judias nasceram para se queixar.

Na verdade, isso se chama kvetching (1).

Nós sempre teremos motivos para nos queixarmos.

Também ajuda se a queixa for acompanhada de um profundo suspiro.

Algumas lágrimas também ajudam.

Mas precisamos reclamar!

Seja porque o dia está muito ensolarado ou muito cinzento.

Seja porque está chovendo ou não chove o suficiente.

Nós sempre encontramos um motivo!

Nós trazemos um filho perfeito ao mundo esperando que ele se torne um médico. Talvez um dentista. Um advogado também seria aceitável.

Mas um judeu budista???

Nós temos ainda uma outra qualidade.

Nós nos preocupamos por tudo.

Se um dos meus filhos está atrasado eu posso imaginar cenários sobre o que aconteceu com ele que renderiam milhões em Hollywood.

É tão maravilhoso poder reclamar da vida e me preocupar e me sentir infeliz…

Apesar do fato de que eu tive uma vida incrível.

Eu visitei o mundo inteiro (exceto a Islândia).

Eu casei com o amor da minha vida.

E apesar de ter criado dois filhos ingratos, eu realmente não tenho motivos para me queixar.

No ano passado, James veio me visitar enquanto a minha adorada filha estava no exterior.

Filhas são realmente especiais!

E acho que o James ficou tão cansado de escutar as minha reclamações sobre tudo e nada que ele começou com esse mantra.

Toda vez que eu reclamava sobre alguma coisa, ou seja, mais ou menos a cada três segundos, ele dizia:

– Mãe porque você não acrescenta esta frase? – “Mas eu sei que sou realmente abençoada.”

E nós começamos esse jogo.

Eu faço isso com cada queixa e isso realmente ajudou.

Eu me tornei [isso está me matando!] uma pessoa feliz.

Eu realmente me tornei uma pessoa mais feliz.

E agora tenho que confessar a vocês.

Ele arruinou a minha vida!

Esse texto é a tradução adaptada do vídeo a seguir com Selma Baraz, mãe de James Baraz, professor de meditação, criador do curso e autor do livro Awakening Joy.

Você pode escutar a Selma, a típica mãe judia, suspirando e se queixando, no video abaixo.

(1) palavra utilizada no inglês americano adotada do Yiddish cujo significado é reclamar, se queixar

Caiu na rede é peixe!

“Caiu na rede é peixe” é um ditado popular que significa que “é tudo bom, tudo serve”, ou seja, para o pescador, se caiu na sua rede de pesca, é bom.

Esse ditado me veio à cabeça na semana passada em outro contexto – Caiu na rede (na internet), tá valendo, não importa de quem é.

Uma metáfora sobre as pedaladas da Dilma foi escrita por Mentor Neto no Facebook  onde ele tem quase 90 mil seguidores. E mais 163 mil no Twitter, só para citar esses dois.  Ele ficou famoso por seus textos ora polêmicos, ora engraçados e, também, pelos muitos “blocks” que distribui.

O post original é esse aí.

neto 120416

E o texto viralizou. Não o texto inteiro, claro. Muito menos a sua autoria.

Três dias depois, Neto publicou outro post reclamando que um deputado tinha postado o seu texto (dele, Neto) sem atribuir a autoria e com isso, parecia que o texto era dele (do deputado).

neto 150416

Nos tempos atuais, a viralização é o auge para quem compartilha alguma coisa publicamente na internet.
Vitalização, na maioria dos casos, significa apreciação. E é essencialmente humano buscar a apreciação. A não ser naqueles casos de fotos e vídeos postados sem permissão.  Muito menos as gravações dos grampos. Mas esse não é o assunto de hoje.

Mas, e quando o texto viraliza sem a autoria? Chato, né? Se o autor fica sabendo (em muitos casos nem fica) tem que ficar dizendo, “ei, esse texto é meu!” como se estivesse buscando os elogios prá si e não por uma questão de direito.
Mas o pior é quando o texto é compartilhado como se outro estivesse assumindo a autoria, como foi o caso da reclamação do Neto. Aí é demais, né?

E não foi só esse caso. Vi vários amigos postando o mesmo texto. Alguns adicionavam “autor anônimo”. Outros, nem isso.
Vi esse mesmo texto até em blogs, sem a devida autoria.

Como isso acontece?
Fácil! Alguém gosta de um texto, ou parte dele, recorta e manda pros amigos. A via preferida dos dias atuais é o WhatsApp. E daí o texto vai circulando.
E quase ninguém pensa em atribuir a autoria. O legal é compartilhar.

No outro dia, uma amiga no Facebook compartilhou um texto do Gregório Duvivier mas como provavelmente recebeu por e-mail ou WhatsApp não sabia de quem era. Só que nesse caso, mencionou que não sabia o autor e queria saber de quem era. Por acaso, eu tinha lido o texto naquela semana e postei o link pro texto original nos comentários. O texto tinha sido publicado no site da Folha de São Paulo e estava liberado apenas para assinantes ou usuários cadastrados. Para compartilhar com amigos que não são nem um nem outro, só mesmo recortando o texto. E foi-se a autoria pro espaço.

Que deselegante!“. Sabe de quem é? *

Pois é. Extremamente deselegante, ainda mais quando o texto é de alguém cuja profissão é escrever. Mas não é crime, a não ser que a pessoa que compartilhou assuma a autoria e pretenda ganhar dinheiro ou vantagens com isso. Aí é plágio. Ou coisa pior.

No ano passado, uma professora de hebraico aqui no Brasil começou a produzir e compartilhar vídeos e slides de aulas no Facebook. Tudo gratuito, aberto a quem quiser aprender. E com isso ganhou inúmeros seguidores interessados. Um dia ela posta um vídeo dizendo que alguém (ela não menciona o nome) está comercializando suas aulas sem autorização.  Põe deselegante nisso! Prá não dizer outra coisa.

Eu sei que a maioria das pessoas nem pensa nisso quando compartilha um texto. Compartilha porque gostou. Eu sei que esse texto não vai fazer nenhuma diferença. Mas se você leu até aqui, espero que lembre disso quando compartilhar um texto que recebeu e gostou.

E se quiser saber quem é o autor, basta copiar um pedaço do texto, colar no Google e, provavelmente, a resposta vai estar na primeira página de resultados.

* O bordão “Que deselegante!” foi criado em pela jornalista Sandra Annenberg. Clique aqui se quiser ver como nasceu.

O drama de quem não consegue acordar cedo

“Deus ajuda quem cedo madruga.”

E quem não consegue acordar cedo? Não terá a ajuda de Deus?

“Passarinho que acorda cedo bebe água limpa.”

Porque passarinho entra no bebedouro para beber água por isso os que acordam mais tarde bebem a “água do banho” do madrugador.

“O pássaro que acorda cedo pega a minhoca.”

Essa vem do inglês – “The early bird catches the worm”. E os outros? Ficam com fome?

“Dormir com as galinhas. Acordar com as galinhas.”

Porque não se fala em “dormir com as corujas”?

Desde sempre os madrugadores foram beneficiados e os dorminhocos discriminados.

Já notou? Madrugador é elogio mas dorminhoco é pejorativo, equivalente a preguiçoso.

Mas não é bem assim.

Nem todo mundo nasceu programado para acordar cedo. Não é invenção minha para justificar porque não sou uma dessas pessoas madrugadoras que dão bom dia para o sol e reclamam que ele está atrasado.

Quem afirma isso é um ramo da biologia, denominado Cronobiologia que estuda os fenômenos cíclicos dos organismos vivos e como se adaptam aos ciclos solares e lunares.

É o nosso velho conhecido relógio biológico que determina quando é hora de dormir e quando é hora de acordar. E fica totalmente descontrolado quando viajamos através de alguns fusos horários.

acordar cedo

 

Mas ele não funciona da mesma forma para todos, é claro. Tem gente que se passar das 10 da noite não funciona mais; passou da meia-noite vira abóbora. E outros não conseguem fechar os olhos antes das duas ou três da manhã.

 

 

Estudos demonstram que a maioria das pessoas se encaixa num meio termo, preferindo dormir entre 23:00 e 7:00. Mas muitos não se encaixam nesse esquema e não é por vontade própria; é um traço genético e muito difícil de ser modificado. Além disso, pesquisas demonstram que se tentamos lutar contra o nosso cronotipo (matutino ou vespertino) podemos prejudicar a nossa saúde.

dormi tarde

 

Cientistas usam o termo “jet lag social” para descrever essa sensação que os vespertinos sentem quando são obrigados a adaptar o seu ritmo para um esquema matutino que é a norma que rege o nosso mundo. A maioria das pessoas precisa acordar cedo para trabalhar ou ir à aula, independente do seu cronotipo.

Em um estudo controlado, 24 participantes saudáveis que tiveram o seu ciclo circadiano adiantado em uma hora (simulando o jet lag) começaram a apresentar sinais de pré-diabete após três semanas. Uma das conclusões do estudo foi que isso representaria um aumento de peso de aproximadamente 6 quilos em um ano, assumindo que não existam mudanças na atividade física ou dieta.

Algumas pessoas afetadas pelo jet lag social tentam compensar a falta de sono acumulada durante a semana nos fins de semana mas além de não ser benéfico para o corpo, só torna as manhãs de segunda-feira mais tenebrosas.

Em 2012, pesquisadores na Europa analisaram dados de 65.000 europeus e constataram que “o jet lag social pode contribuir para a obesidade”.

Um estudo de 2015 acompanhou os hábitos de sono de 447 adultos de meia-idade por uma semana e encontrou alguns padrões preocupantes: o jet lag social foi correlacionado com resistência à insulina (um precursor da diabete), baixo colesterol HDL (o tipo bom), níveis mais altos de triglicérides, aumento da circunferência da cintura e aumento do IMC. Essas correlações se mantiveram depois de ajustadas para comportamentos como exercício, tabagismo e ingestão de álcool.

Mas não é apenas uma questão de saúde. Só uma pessoa vespertina, cujo relógio biológico funciona mais deslocado para o meio do dia sabe o estigma que os vespertinos sofrem em uma sociedade governada por pessoas matutinas. Não é que os vespertinos são preguiçosos ou passam a noite na farra mas como é extremamente difícil acordar cedo e se manter alerta para trabalhar ou estudar, é assim que a sociedade os percebe. E não é sempre que se pode ajustar o estudo ou trabalho para um esquema vespertino.

Se você quiser saber mais sobre Cronobiologia, visite este site.

Aqui neste site você pode fazer um teste para saber o seu cronotipo. (em inglês)

Fontes:
http://www.vox.com/2016/3/18/11255942/morning-people-evening-chronotypes-sleeping
http://www.vox.com/2016/3/28/11306124/chronotype-night-owl-discrimination