Wear heart on sleeve

O que me levou a pesquisar boas traduções para expressões idiomáticas em inglês foi ver a quantidade de traduções literais que existem por aí e que não fazem o menor sentido. Mas o que me dá mais prazer hoje em dia é descobrir a origem dessas expressões, como wear your heart on the sleeve, por exemplo.

Essa é uma expressão razoavelmente comum em língua inglesa. Quer dizer demonstrar os sentimentos, o que vai no coração. Dependendo do contexto, também pode expressar vulnerabilidade, não ser de ferro.

Mas de onde apareceu essa manga (sleeve)?


Em primeiro lugar, não é a manga da camisa em que costumamos pensar. E quando pensamos em expressões com manga (de camisa), a primeira que vem à mente é “esconder as cartas na manga”, que tem o sentido exatamente oposto.

É por isso que gosto de pesquisar a origem para compreender a imagem por trás das expressões.

Segundo o site phrases.org.uk, a origem da expressão está em Otelo de William Shakespeare.

It is sure as you are Roderigo,
Were I the Moor, I would not be Iago.
In following him, I follow but myself;
Heaven is my judge, not I for love and duty,
But seeming so, for my peculiar end;
For when my outward action doth demonstrate
The native act and figure of my heart
In complement extern, ’tis not long after
But I will wear my heart upon my sleeve.
For daws to peck at. I am not what I am.
Othello, Act 1, scene 1, 56-65

Você pode pensar “mas Iago é traiçoeiro, ele nunca demonstraria seus verdadeiros sentimentos”. É verdade, mas foi dessa forma que a expressão ganhou fama.

Ok, mas e a tal da manga (sleeve)?

De acordo com o Merriam-Webster, a origem poderia estar na era medieval, aquela dos reis e cavaleiros e duelos com lanças.

Agora a imagem está se formando.

Você já deve ter visto algum filme ambientado na Idade Média que quase sempre tem uma justa, um torneio em que dois cavaleiros armados de lanças vão um na direção do outro, procurando desmontar o oponente. Segundo esse site, os cavaleiros costumavam dedicar a sua participação na justa a uma dama da corte amarrando uma fita no braço da armadura, ou seja, demonstrando seus sentimentos pela dona da fita.

Mas, ainda segundo eles, isso é mera conjectura, pois não existe nenhuma prova concreta. A primeira ocorrência registrada da expressão é realmente em Otelo, no século XVII.

Mas ainda não acabou. Neste site, tem outra explicação mais curiosa.

Contam eles que o Imperador Claudio II acreditava que homens solteiros eram melhores soldados e declarou o casamento ilegal. Mas, para fazer uma concessão, uma vez por ano, durante o festival em honra à deusa romana Juno, ele permitia ligações temporárias. Os homens sorteavam os nomes que determinavam a dama que seria seu par para o próximo ano. E a partir daí, usavam o nome da dama na manga pelo restante do festival.

Se é verdade, não sei. Não dá para acreditar em tudo que a gente lê na internet. Mas achei a história pitoresca.

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